Eu sinto a fotografia como um meio cujo propósito é emocionar e, se deixar emocionar.  Eu reivindico uma fotografia humanista que parte do cuidado, já que somente do olhar que não julga pode-se começar a desvendar algo que se aproxima da intimidade de cada um.  
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Minha fotografia nasce no intervalo entre o que recordo e o que imagino. Habita um território onde o romantismo encontra a sombra, onde a fantasia cresce como um gesto silencioso que contorna o corpo, a luz e o instante. Trabalho como quem costura mundos: sobreponho camadas, memórias, atmosferas e pequenas ficções que se insinuam entre o real e aquilo que poderia ser.
Carrego comigo o olhar dos filmes noir, a respiração dos velhos mestres da pintura e o assombro discreto das imagens que nunca se deixam decifrar por completo. Cada cena que construo é uma espécie de rito — um convite para atravessar texturas, emoções e superfícies que se abrem como portais, revelando narrativas íntimas e ao mesmo tempo universais.
Entre Brasil e Europa, aprendi que a imagem é também um lugar de deslocamento. É ali, nesse trânsito, que minhas fotografias se formam: como fragmentos de histórias que encontram novas geografias, novos rostos, novos silêncios. Fotografo para dar forma ao invisível, para transformar experiências em matéria sensível, para criar paisagens emocionais que toquem o espectador antes mesmo de serem compreendidas.
Minha obra é, enfim, uma busca por mundos possíveis — espaços onde beleza, afeto e mistério coexistem, onde a imagem respira como uma língua própria e onde cada fotografia é uma memória que ainda está por acontecer.
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